Do Software Livre às Tecnologias Abertas: mais de duas décadas conectando pessoas, compartilhando conhecimento e construindo o futuro
Toda grande história começa de algum lugar.
Às vezes, começa com um grande projeto. Às vezes, com uma decisão importante. E, às vezes, começa simplesmente com uma conversa entre pessoas que acreditam que alguma coisa pode ser diferente.
A história do Latinoware tem um pouco de tudo isso.
Antes de existir o Latinoware, existiam pessoas discutindo o futuro do Software Livre no Brasil. Existiam comunidades compartilhando conhecimento, desenvolvedores criando soluções, professores levando novas ideias para seus alunos e instituições começando a perceber que a tecnologia também poderia ser construída de uma maneira diferente.
Foi nesse ambiente que, durante a Conferência Internacional de Software Livre, realizada em Curitiba, no Paraná, começaram as conversas que ajudariam a dar origem à ideia de criar um encontro com uma vocação latino-americana.
A proposta era aproximar pessoas, comunidades e instituições em torno do Software Livre e do conhecimento compartilhado.
A ideia era grande.
Mas algumas pessoas acreditaram nela.
E, em 2004, a ideia virou realidade.
Nascia, em Foz do Iguaçu, o Latinoware.
2003: quando uma ideia começou a ganhar forma
A história do Latinoware está diretamente relacionada ao movimento de adoção do Software Livre pela Itaipu Binacional.
Em 2003, a Itaipu passou a participar do Comitê Técnico de Implantação de Software Livre, ligado ao Governo Federal. A iniciativa contou com o envolvimento da Diretoria e da área de Informática da empresa.
Naquele período, a aproximação com importantes nomes do movimento brasileiro de Software Livre ajudou a ampliar essa discussão.
Entre eles estavam Sérgio Amadeu de Oliveira e Djalma Valois, que contribuíram para sensibilizar a instituição sobre o potencial do código aberto e das tecnologias livres.
Ao mesmo tempo, em Curitiba, durante a Conferência Internacional de Software Livre, surgiam conversas entre pessoas que enxergavam a possibilidade de criar algo maior: um encontro que pudesse reunir não apenas brasileiros, mas também pessoas e comunidades de toda a América Latina.
Uma ideia começava a encontrar um caminho.
2004: o nascimento do Latinoware
Há imagens que registram um evento. Esta registra o começo de uma história.
A primeira edição aconteceu em novembro de 2004, em Foz do Iguaçu.
Era o começo de uma história que ninguém naquele momento poderia imaginar que chegaria tão longe.
O Programa de Software Livre Itaipu era apresentado, o mascote Tux começava a fazer parte da identidade do movimento e o slogan daquela época traduzia de maneira simples o espírito que se pretendia transmitir:
“Ele não é diferente… É Livre…”
A primeira edição reuniu pessoas interessadas em Software Livre e contou com a participação de nomes que ajudariam a dar ao evento uma dimensão internacional.
Entre eles estava Jon “maddog” Hall, uma das personalidades mais conhecidas mundialmente na defesa do Software Livre e do código aberto.
Sua presença desde aquele primeiro momento ajudou a estabelecer uma conexão internacional que se tornaria uma das características marcantes do Latinoware.
E aquela primeira edição deixou uma mensagem que continua atual:
uma boa ideia pode nascer pequena, mas pode crescer quando encontra pessoas dispostas a acreditar nela.

De Foz para Curitiba e de volta para casa
Em 2005, o Latinoware chegou a Curitiba.
Foi um momento importante de afirmação.
O evento começava a mostrar que aquela ideia não estava limitada a Foz do Iguaçu.
Podia viajar.
Podia crescer.
Podia aproximar novas comunidades.
No ano seguinte, o Latinoware retornou para Foz do Iguaçu e iniciou uma longa relação com o então Parque Tecnológico Itaipu (PTI).
Foz passava a ser novamente o ponto de encontro de uma comunidade que crescia a cada edição.
Quando a comunidade começou a crescer
Nos anos seguintes, o crescimento do Latinoware aconteceu junto com o crescimento da própria comunidade de Software Livre.
Vieram as caravanas universitárias.
Vieram estudantes de diferentes regiões do Brasil.
Vieram professores, pesquisadores, desenvolvedores, profissionais, comunidades e empresas.
O Latinoware passou a ser muito mais do que um congresso.
Era um ponto de encontro.
Um lugar onde alguém podia chegar sem conhecer ninguém e sair levando uma nova ideia, um novo projeto, uma oportunidade ou até uma nova amizade.
Foi também nesse período que a programação começou a se ampliar.
O Software Livre continuava sendo a essência, mas novas necessidades e novas tecnologias começaram a ocupar espaço.
Redes.
Infraestrutura.
Segurança.
Desenvolvimento.
Bancos de dados.
Linguagens de programação.
Comunidades de projetos.
Modelos de negócios.
O conceito de liberdade tecnológica começava a ultrapassar as fronteiras do sistema operacional e do código.


Do Software Livre ao Hardware Livre
Uma das transformações mais interessantes da trajetória do Latinoware foi a chegada do Hardware Livre.
Arduino, Raspberry Pi, sistemas embarcados, robótica, prototipagem e cultura Maker aproximaram o mundo físico do universo do Software Livre.
Depois vieram a Internet das Coisas — IoT, automação, sensores, conectividade e novas possibilidades de interação entre software e hardware.
A tecnologia aberta começou a ocupar novos espaços.
Uma placa eletrônica.
Um robô.
Um sensor.
Uma sala de aula.
Uma casa.
Uma fábrica.
Uma cidade.
O Software Livre havia começado a ganhar corpo.



Segurança, privacidade e soberania tecnológica
À medida que a sociedade se tornava cada vez mais dependente da tecnologia, questões relacionadas à segurança, privacidade, proteção de dados e soberania tecnológica também ganharam espaço.
O Latinoware acompanhou essa transformação.
As discussões deixaram de tratar apenas de como utilizar determinada tecnologia e passaram também a questionar:
Quem controla a tecnologia?
Quem controla os dados?
Como podemos garantir segurança?
Como podemos preservar a liberdade e a autonomia?
Essas perguntas continuam absolutamente atuais.


Tecnologia também é educação
A Educação sempre esteve próxima do universo do Software Livre.
Ao longo dos anos, essa relação foi se ampliando.
O Latinoware passou a discutir novas formas de aprendizagem e novas possibilidades proporcionadas pelas tecnologias abertas.
Vieram conceitos como Educação 4.0 e Educação 5.0, pensamento computacional, robótica educacional, inovação pedagógica e novas formas de aproximar tecnologia e educação.
Mas a discussão também foi além da tecnologia utilizada em sala de aula.
Passou a envolver as próprias pessoas.
Acessibilidade, inclusão e neurodiversidade passaram a fazer parte desse debate.
Porque não basta criar tecnologia.
É preciso pensar em quem pode utilizá-la.
E é preciso garantir que mais pessoas possam participar da construção do mundo digital.
Tecnologia também é cultura
Outra transformação aconteceu quando o Latinoware passou a abrir espaço para áreas que, à primeira vista, poderiam parecer distantes da tecnologia.
Ilustração. Artes. Música. Cultura.
Mas essa distância nunca existiu de verdade.
Tecnologia também é ferramenta de criação.
É instrumento musical.
É software de ilustração.
É produção audiovisual.
É criatividade.
É expressão.
Ao abrir espaço para essas áreas, o Latinoware mostrou que tecnologias abertas não pertencem apenas aos programadores.
Elas pertencem a todos aqueles que querem criar.
Ciência entra nessa história
A evolução também levou o Latinoware para mais perto da comunidade científica.
O Latin.Science aproximou pesquisadores, professores, estudantes e profissionais da produção acadêmica relacionada às tecnologias abertas.
Foi uma evolução natural.
O conhecimento compartilhado em uma comunidade também pode se transformar em pesquisa.
Pode gerar artigos.
Pode gerar novos projetos.
Pode gerar novas perguntas.
Pode aproximar universidades, empresas, comunidades e sociedade.
Em 2025, o Latin.Science atingiu um recorde histórico de 265 submissões, mostrando a dimensão que essa comunidade científica alcançou dentro do ecossistema do Latinoware.



Uma comunidade que atravessa fronteiras
O nome Latinoware carrega uma identidade muito clara.
Latino.
O evento nasceu com uma forte vocação latino-americana e Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, sempre foi um lugar simbólico para esse encontro.
Mas a comunidade que o Latinoware representa não conhece fronteiras.
O movimento Open Source é mundial.
Um projeto pode nascer no Brasil, receber contribuições da Alemanha, ser utilizado no México, ter desenvolvedores na Argentina e usuários em dezenas de outros países.
Essa é a natureza da colaboração aberta.
Por isso, o Latinoware é latino-americano em sua identidade, mas mundial em sua essência.
Algumas pessoas se tornam parte da história
Ao longo dessas mais de duas décadas, muitas pessoas passaram pelo Latinoware.
Algumas vieram uma única vez.
Outras retornaram várias vezes.
Algumas se tornaram palestrantes frequentes.
Outras ajudaram nos bastidores.
E algumas acabaram se tornando amigas e parceiros de caminhada.



Jon “maddog” Hall é um desses exemplos.
Desde a primeira edição, sua presença ajudou a conectar o Latinoware com a comunidade internacional.
Ao longo dos anos, essa relação ultrapassou a condição de palestrante e evento.
Transformou-se em amizade, parceria e respeito mútuo.
E essa talvez seja uma das maiores riquezas construídas pelo Latinoware: as conexões que permanecem depois que o evento termina.
2020 e 2021: quando o mundo precisou parar
Então veio a pandemia.
O mundo precisou se afastar.
Os encontros presenciais foram interrompidos.
Mas a comunidade não parou.
O Latinoware encontrou no ambiente digital uma maneira de continuar conectando pessoas, compartilhando conhecimento e mantendo viva sua comunidade.
Foi uma experiência diferente.
Difícil.
Mas também transformadora.
O evento conseguiu alcançar pessoas que talvez nunca tivessem conseguido viajar até Foz do Iguaçu.
E mostrou, mais uma vez, que uma comunidade construída em torno do conhecimento aberto consegue encontrar novos caminhos quando os caminhos tradicionais deixam de existir.



2022: o reencontro
Depois de dois anos de grandes mudanças, chegou o momento de voltar.
O retorno ao presencial em 2022 foi muito mais do que a retomada de um evento.
Foi um reencontro.
Reencontro com amigos.
Com comunidades.
Com universidades.
Com parceiros.
Com pessoas que estavam acostumadas a se encontrar todos os anos em Foz do Iguaçu.
Aquele abraço que faltou durante a pandemia também fazia parte da história do Latinoware.



20 anos e novos horizontes
Em 2023, o Latinoware chegou à sua 20ª edição.
Duas décadas depois daquela primeira experiência, o evento já carregava uma história construída por milhares de pessoas.
O mundo tecnológico também era completamente diferente.
O Software Livre havia se transformado em uma das bases da economia digital mundial.
Cloud computing, inteligência artificial, DevOps, dados, IoT, sistemas distribuídos, segurança e inúmeras outras tecnologias abertas passaram a fazer parte do cotidiano de empresas, governos, universidades e da sociedade.
O Latinoware acompanhou essa transformação.
E continuou mudando.
2024 e 2025: novas conexões
Nos últimos anos, novas conexões foram estabelecidas.
A aproximação com iniciativas de inovação e empreendedorismo ampliou ainda mais o alcance do evento.
Novas comunidades chegaram.
Novas tecnologias passaram a fazer parte das conversas.
A Inteligência Artificial ganhou espaço.
A IA generativa passou a transformar a maneira como pensamos desenvolvimento, criatividade, educação e trabalho.
Ao mesmo tempo, o Latinoware continuou fortalecendo suas comunidades tradicionais.
Porque crescer não significa abandonar suas origens.
Significa levar seus princípios para novos espaços.
Um legado de pessoas
É impossível contar a história do Latinoware olhando apenas para números.
É verdade que os números impressionam.
Ao longo de sua trajetória, o evento já ultrapassou a marca de 78 mil participantes acumulados.
Mas nenhum número consegue explicar sozinho o que aconteceu nesses encontros.
Porque o verdadeiro legado está nas pessoas.
Nos estudantes que chegaram curiosos.
Nos professores que levaram novas ideias para suas salas de aula.
Nos desenvolvedores que apresentaram seus projetos.
Nos pesquisadores que compartilharam suas descobertas.
Nas comunidades que trouxeram seus conhecimentos.
Nas empresas e instituições que apoiaram.
Nas caravanas que cruzaram estradas.
Nos voluntários.
Nos organizadores.
Nos parceiros.
Nos palestrantes.
E em todos aqueles que, de alguma maneira, disseram:
“Vamos fazer.”
Nosso muito obrigado
Nenhuma história como essa é construída por uma única pessoa.
Por isso, chegar à 23ª edição também é um momento de agradecer.
Agradecer a quem teve a coragem de imaginar o primeiro Latinoware.
A quem ajudou a abrir os caminhos.
A quem participou das primeiras edições.
Aos palestrantes que viajaram quilômetros para compartilhar conhecimento.
Às comunidades que trouxeram seus projetos.
Aos professores que incentivaram seus alunos.
Aos estudantes que chegaram em caravanas.
Aos voluntários.
Aos organizadores.
Aos parceiros.
Às instituições que acreditaram.
A todos que ajudaram nos bastidores, muitas vezes sem aparecer.
E também àqueles que fizeram críticas, apontaram problemas ou sugeriram mudanças e, com isso, ajudaram o Latinoware a melhorar.
Cada um deixou um pouco de si nessa história.
Alguns estiveram presentes durante muitos anos.
Outros participaram de uma única edição.
Mas todos, de alguma maneira, ajudaram a construir o que existe hoje.
A todos vocês, o nosso muito obrigado.
23ª edição: a história continua
Em outubro de 2026, o Latinoware chega à sua 23ª edição.
De 14 a 16 de outubro, Foz do Iguaçu novamente será ponto de encontro para estudantes, professores, pesquisadores, desenvolvedores, profissionais, empresas, comunidades e todos aqueles que acreditam no poder das tecnologias abertas.
A 23ª edição acontece no Centro de Convenções do Grand Carimã Resort & Convention Center, em Foz do Iguaçu, Paraná.
Durante os três dias, a programação reunirá palestrantes e comunidades em torno de temas como Inteligência Artificial, Segurança Cibernética, IoT, Engenharia de Software, Redes Inteligentes, Educação, Ciência, Inovação e outras áreas que fazem parte da transformação tecnológica contemporânea.
Mas talvez o mais importante seja aquilo que não aparece na programação.
Os encontros.
As conversas.
As ideias que surgem nos corredores.
As amizades.
As parcerias.
Os projetos que começam depois de uma conversa.
Porque é isso que acontece quando pessoas com ideias diferentes, mas com valores semelhantes, se encontram.
Quando uma ideia encontra pessoas, ela pode virar história
O Latinoware não nasceu grande.
Nasceu de uma ideia.
Cresceu porque encontrou pessoas dispostas a acreditar nela.
E chegou até aqui porque, ao longo de mais de duas décadas, muitas outras pessoas decidiram caminhar juntas.
Essa talvez seja a maior lição deixada por essa trajetória.
Quando queremos alguma coisa, acreditamos nela e encontramos pessoas dispostas a ajudar, aquilo que parecia apenas um sonho pode acontecer.
Foi assim em 2004.
Foi assim ao longo dessas 23 edições.
E continua sendo assim hoje.
A história ainda não terminou.
Ela continua sendo escrita.
Latinoware 2026
23 edições conectando pessoas, compartilhando conhecimento e construindo o futuro.
E essa história também é sua.
Obrigado a todos
Time Latinoware 2026

