Falta de capacitação e investimentos atrasam uso de tecnologia da informação pelas polícias

  • Comunicação Latinoware
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  • 2018/10/17

Desvendar crimes com ajuda da tecnologia é um dos desafios da polícia brasileira, mas esbarra na falta de capacitação técnica específica em tecnologias e recursos humanos, e na ausência de adequação na legislação que regulamenta o ambiente virtual.

O tema foi tratado pelo professor e instrutor de operações policiais, Carlos Alberto Azevedo, também membro da SICAM – Sociedad de Investigación Criminal de América, em sua participação na 15ª edição do Latinoware, que acontece no Centro de Convenções de Foz do Iguaçu, entre os dias 17 e 19 de outubro.

Para Azevedo, outra importante medida para um melhor desenvolvimento e aplicabilidade da tecnologia de informação na segurança, está em tornar o Brasil signatário de tratados como de Budapeste, que versa sobre crimes de informática. “Hoje a apuração é muito complicada e necessita de velocidade para que a lei seja mais precisa”, disse.

Azevedo trouxe ao público casos recentes de fraudes milionárias elucidadas pelo Gaeco e Polícia Federal, como Operação Ostentação – onde R$ 400 milhões foram desviados em fraudes bancárias -, e a Operação Pecúlio, uma das maiores fraudes já descobertas na cidade, com cifras chegando a R$ 30 milhões. “A TIC veio para auxiliar de forma legal a parceria com o Ministério Público. Nosso desafio maior está em capacitar profissionais para que tenham aporte no combate aos crimes cibernéticos”.

As parcerias público-privadas necessaŕias, segundo o palestrante, sofrem com a falta de visibilidade. “Hoje há muito investimento no preventivo e muito pouco na tecnologia da informação”. Dos casos onde essa tecnologia tem promovido mudanças, Azevedo citou a utilização de smartphones pela polícia de Santa Catarina, onde podem consultar com agilidade a situação legal de motoristas e mapear ações. No Rio Grande do Sul, a utilização de um aplicativo pela polícia em parceria com as comunidades, filtra as principais denúncias.

Se os investimentos ainda são tímidos, Azevedo faz um alerta para a falta de consciência digital; “58% das pessoas que acessam a internet utilizam redes desprotegidas e 20% usam a mesma senha para todas as contas”.

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