Investigar crimes digitais nos IoTs é um desafio da Perícia Forense

  • Abilene Rodrigues
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  • 2017/10/20

Os IoTs (objetos físicos autônomos conectados à internet), também chamados de “Internet das coisas”, estão desafiando a perícia forense a criar novos mecanismos para investigar ataques e crimes digitais. Até pouco tempo, as invasões ocorriam apenas através dos computadores, nos sistemas Windows e Linux, e a perícia sabia como investigar.

Mas como atualmente mais de 23 bilhões de dispositivos em todo o mundo estão conectados na internet, e com seu sistema próprio, a polícia estuda novas formas de investigar os crimes.

Segundo Gilberto Sudre, durante sua palestra no 14ºLatinoware, a União Europeia propôs uma estratégia de cibersegurança para computadores utilizados em infraestruturas críticas e está escrevendo novas regras e formas de investigação digital. “Os IoTs estão desafiando a perícia. Está sendo obrigada a se inventar”.

Essas regras, de acordo com o Sudre, precisam estar prontas o mais rápido possível, pois as invasões através dos IoTs estão cada vez mais comuns. Afinal, eles estão em todos os lugares e crescem em ritmo acelerado. Hoje estão presentes em 23 bilhões de equipamentos, como relógios, torradeiras, lâmpadas, sapatos, carros, marcapassos, câmeras, babás eletrônicas, entre outros. Em 2020, serão 50 bilhões.

Eles acabam sendo portas para hackers e ataques cibernéticos. “Como tem seus próprios sistemas, é mais difícil de ser instigado e saber de onde veio o ataque. Alguém imaginava que seus dados poderiam ser roubados através de um torradeira. Hoje isso é um realidade”, disse. Quando isso ocorre, a perícia, na maioria das vezes, precisa acessar o hardware do próprio dispositivo e até entrar em contato com o fabricante.

O que facilita a vida, também a expõe

Esses equipamentos que facilita a vida no dia a dia, como uma babá eletrônica, por exemplo, acaba expondo porque não tem seu software atualizado. E, de acordo com Sudre, não para por aí. Pelo menos metades dos smartphones do mundo todo estão com os sistemas operacionais desatualizados.

“Não faz muito tempo que hackers invadiram 465 mil marcapassos nos Estados Unidos. Os pacientes foram convocados a procurar seus médicos para fazer um upgrade do software. Então, o que facilita a nossa vida, também nos expõe”.

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